
Segundas floridas. Terças trançadas. Quartas novamente as flores. Quinta foram tuas vistas, e me encantei. A sexta voltei a sacada e fiquei bobo ao ver você trançar novamente seus cabelos. Meus olhos novamente encantaram-se com tua beleza, e com um simples gesto de minhas mãos entreguei-lhe uma rosa. Senti meu coração pulsar e percebi que me apaixonava por ti.
No sábado tentei descansar, mas em meus olhos só passavam imagens daqueles cabelos louros sendo trançados por mãos tão finas e sedosas como uma pena, e até mesmo como o seu próprio cabelo que é de uma igualdade tamanha com sua pele.
No domingo não fiz nada de costume, apenas lavei o rosto e sai correndo para te ver. E pelas minhas contas hoje era o dia de apreciar seu olhar. Cheguei de frente a sacada e entristeci ao não ver você lá, esperei sentado a grama com os olhos fixos ao alto durante todo o dia. Já ao fim da tarde, cansado da grama úmida e do ardor dos olhos também cansados, levantei-me andei pelo jardim a procura dela. Parei de joelhos sobre a grama que já nem era mais verde e úmida, era escura feito as letras escritas a tinta branca por você. Elas diziam: “Não posso mais trançar cabelos para você. Meus olhos já não podem mais ver os teus e minhas flores murcharam, sentem minha falta.Tive de partir com o coração feito as flores: machucado e murcho.”. Cai no chão, sem palavras e muito menos lágrimas sofri calado. Agora sobre uma grama cor de sofrimento com cheiro de dor,e a flor sobre o meu peito que já nem mais parecia flor. Foi como sentir você deitada ali, uma flor, minha flor: sem cabelos louros, sem peles sedosas, sem mais ser uma flor.
Isaias Evangelista
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